Pensamento Ecológico, uma nova visão


Nos últimos anos compartilhar reflexões sobre a Questão Ambiental vem se tornando algo cada vez mais cotidiano. Arriscaria dizer que sediar a Eco 92 foi bastante relevante para o despertar do olhar de nós brasileiros para o tema.

Mas como essas “reflexões” germinam normalmente na maioria de nós? Sem maiores rigores, podemos dizer que surge o pensamento da importância do cuidado com as florestas, a reciclagem dos objetos, a escassez da água, mais recentemente o chamado Aquecimento Global passou a estar em todas as conversas sobre Meio Ambiente e já concordamos que o cultivo orgânico dos alimentos é relevante para a saúde do planeta.

Gradativamente alguns de nós estão desaprendendo aquela velha apresentação da água, que nos bancos da escola se tratava de um recurso natural inesgotável, que simplesmente evaporava dos rios, mares, cachoeiras e lagos e depois caia do céu num ciclo infinito. Lembra disso?

Hoje em dia a mesma inocência não é emprestada as crianças nas escolas. A água é apresentada como um recurso escaço, cuja a conservação é uma questão vital para todos nós! O planeta que elas recebem, não é mais o mesmo que nós recebemos. E estamos falando de um lapso temporal de 20 anos. (Sem entrar no mérito da idade da autora do texto! rs...).

Mas até agora os grandes temas ainda são colocados numa forma de pensamento que nos separa da natureza. O Meio Ambiente, é algo externo a nós. E práticas, que são de suma importância, como coleta seletiva, controlar o fluxo de água da torneira, usar sacola retornável, trabalho voluntário e contribuir financeiramente para instituições, têm sido as possibilidades de prática encontradas por nós urbanos interessados em cultivar um planeta mais verde.

Era. Não é mais. Mais uma vez temos a oportunidade de vislumbrar o fenômeno da perda da inocência no nosso caminhar na Alfabetização Ecológica. Germina no mundo a visão ambiental que apresenta o homem e a natureza como um só ser num sentido mais profundo. Nessa visão somos formados por rios, lagos, florestas, cachoeiras, fauna, flora e uma mega biodiversidade com um número inimaginável de “espécies” (microorganismos) ainda não identificadas! Isso lhe parece familiar? Mas estou falando do corpo humano visto como um Ecossistema vivo, formado a imagem e semelhança da Terra (Teoria de Gaia). Na visão do cuidado apresentada pelo professor Leonardo Boff, somos Terra, que abraça, ama, sente e cuida. Numa visão ambientalista poética, os rios do planeta e suas águas são um só com as nossas veias e o sangue que mantém a vida no nosso corpo.

A partir daí podemos considerar que a saúde dos rios dos planeta e a do nosso sangue é uma só. Poluir o planeta e intoxicar o corpo são práticas que caminham juntas. A boa notícia é que despoluir e desintoxicar também! Agora chegamos numa compreensão mais prática daquela idéia de que a saúde do planeta e a do homem são uma só. O corpo é percebido como espaço de prática de contribuição para Preservação Ambiental através de novas possibilidades que vão além das que mencionei anteriormente. E encontramos o capítulo Hábitos de Vida Urbana Ecológica, aquela possível para a maioria de nós habitantes da urbi. Surgem conceitos como Auto Cuidado Ecológico, Práticas Naturais Desintoxicantes e Alimentação Viva na Promoção da Saúde e do Meio Ambiente, que nos estimulam a pesquisar e compartilhar uma infinidade de possibilidades de práticas cotidianas.

É interessante considerarmos que cada um de nós é titular vitalicio de um pequeno pedaço de planeta Terra, daí promover uma Evolução Ambiental pode ser algo muito mais simples do que imaginávamos. O que pode antecipar aquele projeto que só ia começar na aposentadoria, quando finalmente teremos tempo e um sítio num local de mato verde pra plantar e pra colher.

“Refloreste-se”, seria um bom jargão para expressar esse pensamento, oque vc acha?

Com carinho,
Juliana Malhardes
Educação Ambiental
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